Ensino superior cresce em ritmo mais lento

Publicada em 13/12/2006 às 11h59m

O Globo e Agência Brasil

BRASÍLIA - De cada dez faculdades brasileiras, apenas duas são públicas e quase metade das vagas oferecidas pelas faculdades particulares não são ocupadas. Os dados fazem parte do Censo do Ensino Supeior, divulgado nesta terça-feria pelo ministério da Educação. O censo revela que o número de instituições de ensino superior continua crescendo, mas em ritmo menos acelerado. Em 2005, havia 2.165 intituições de ensino superior em todo o país. O crescimento foi de apenas 1% em relação ao ano anterior.

Como o jornal O Globo já havia antecipado na edição do dia 9 de dezembro, o Brasil tinha, no ano passado, 4.453.156 estudantes universitários matriculados em cursos de graduação, o que representa aumento de 6,9% em relação a 2004. É a terceira vez seguida que o ritmo de expansão do ensino superior diminui. Em 2002, no último ano do governo Fernando Henrique, o número de matrículas subiu 14,8%. Em 2003, as matrículas aumentaram 11,6%. A taxa de crescimento foi reduzida para 7,1% em 2004 e, no ano passado, para 6,9%.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, acredita que a expansão do setor privado não é capaz de garantir a meta estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Pelo plano, 30% da população entre 18 e 24 anos deve estar cursando o ensino superior até 2011. De acordo com Haddad, a expansão do número de instituições privadas ocorrida nos últimos anos não é suficiente para aumentar o acesso aos cursos superiores , o que pode ser comprovado pelo aumento do número de vagas não ocupadas dessas instituições.

- O formato da expansão anterior estava calcado na idéia de que as pessoas que concluíam o ensino médio teriam recursos para honrar uma mensalidade de universidade ou faculdade. O que podemos perceber é que a maior parte dessas pessoas depende do ensino gratuito ou fortemente financiado ou subsidiado pelo Estado - afirmou Haddad.

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro anunciou que o MEC estuda a ampliação do programa Universidade para Todos (ProUni) e do Financiamento Estudantil (Fies). Uma das medidas em estudo prevê que os estudantes paguem o Fies mediante a prestação de serviços na área de educação. Haddad disse também que a criação de universidades federais vai aumentar as matrículas no setor público.

As instituições de ensino superior privadas respondiam por 73,2% das matrículas em 2005 , enquanto o setor público de ensino superior atendia apenas 26,8% dos estudantes. Do total de 4.453.156 universitários brasileiros, 3.260.967 alunos estudavam em cursos de graduação privados e 1.192.189, em instituições públicas. O censo revelou também que 60,1% dos estudantes freqüentavam cursos noturnos e 39,9%, cursos diurnos. No setor público, porém, 63% das matrículas eram diurnas. No privado, 68,6% eram noturnas.

As escolas particulares representam 89% e quase a metade está concentrada na Região Sudeste. A Região Norte tem apenas 5,6%. A área com o maior número de cursos é educação, seguida de ciências sociais, negócios e direito. Em 2005, mais de 288 mil alunos entraram em faculdades públicas em todo o Brasil, 195 mil se formaram. Nas particulares essa relaçao é bem maior: em 2005, entraram na rede privada mais 1,1 milhão de estudantes mas só se formaram pouco mais de 500 mil.