Brasil tem só 11% de universitários; Inep admite que taxa de
crescimento está aquém do necessário
O Brasil tinha, no ano passado, 4.453.156 estudantes
universitários matriculados em cursos de graduação, o que representa
aumento de 6,9% em relação a 2004. É o que mostra o Censo da
Educação Superior 2005, que será divulgado na próxima terça-feira,
pelo Ministério da Educação (MEC). É a terceira vez seguida que o
ritmo de expansão do ensino superior diminui. Em 2002, no último ano
do governo Fernando Henrique, o número de matrículas subiu 14,8%. Em
2003, as matrículas aumentaram 11,6%. A taxa de crescimento foi
reduzida para 7,1% em 2004 e, no ano passado, para 6,9%.
Dilvo Ristoff, diretor de Estatísticas e Avaliação da Educação
Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação, disse que a
taxa de crescimento do ensino superior está aquém do que o Brasil
precisa:
- A taxa é pequena, tem que crescer mais - afirma Ristoff.
Em 2002, houve aumento de 14,8% nas matrículas
Ristoff lembra que o Plano Nacional de Educação aprovado pelo
Congresso prevê que, até 2011, 30% da população de 18 a 24 anos
estejam na universidade. Atualmente, segundo o diretor do Inep,
apenas 11% desse contingente freqüentam o ensino superior. Países
vizinhos, como Argentina, Chile e Bolívia, têm taxas mais altas de
jovens matriculados nas universidades.
Ristoff diz que a expansão perdeu ritmo nos últimos anos porque
caiu o "estoque" de adultos que estavam fora da universidade e
buscaram o ensino superior nos últimos anos. Entre 1999 e 2003, as
matrículas cresceram a taxas acima de dois dígitos. O ápice ocorreu
em 2002, com aumento de 14,8%.
- Havia um represamento histórico muito grande. Agora a expansão
depende mais dos estudantes na faixa etária correta. O problema é
que nosso sistema é essencialmente privado e o aluno que sai do
ensino médio cada vez tem mais dificuldade para pagar pelo ensino
superior - disse o diretor do Inep.
Segundo ele, o ritmo de aumento de matrículas não caiu ainda mais
por causa de ações do governo, como o programa Universidade para
Todos, que ofereceu 112 mil vagas para alunos de baixa renda em
2005. A expansão das universidades federais também ajudou, acredita
o diretor.
Os dados nacionais do censo estão disponíveis na internet (http://www.inep.gov.br/), no
ícone do portal Sinaes, que também será lançado na terça-feira, com
dados estatísticos sobre o ensino superior brasileiro.
O novo censo mostra que foram oferecidas 2.429.737 novas vagas no
ano passado, das quais apenas 1.394.066 foram preenchidas, ou seja,
57% do total. Isso significa que 1.035.671 vagas ficaram ociosas, a
maior parte nas instituições privadas.
Para diretor
do Inep, vagas ociosas só existem no papel
Ristoff entende que muitas vagas ociosas existem apenas no papel.
Isso porque, ao receberem autorização do MEC para funcionar, as
faculdades devem fixar o número de alunos que pretendem atender. O
diretor acredita que parte delas solicita um número maior, acima da
demanda real, buscando sinalizar para a concorrência que tem
condição de aumentar a oferta e não deixar sobras de mercado.
O raciocínio só vale para faculdades, porque universidades e
centros universitários têm autonomia para criar cursos e vagas. A
concentração de oferta em determinados bairros e cidades pode ser
outra causa de ociosidade.
Número de alunos que
concluem curso cresceu 14,5%
O Censo da Educação Superior 2005 mostra que 717.858
universitários concluíram o curso em 2005 e que havia 305 mil cargos
de professor de ensino superior no Brasil. Em relação a 2004, o
número de universitários concluindo seus cursos aumentou em 91.241
(14,5%).