Indústria pretende triplicar empresas
inovadoras até 2010

O Congresso Brasileiro de Inovação na
Indústria, que começa nesta quarta-feira (26/10), em São Paulo, vai
propor um documento com metas para 2010 que incentivarão o
desenvolvimento tecnológico no País. Uma das metas é triplicar o
número de indústrias inovadoras no Brasil, segundo informou o
presidente do Conselho Temático de Política Industrial da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rodrigo da Rocha
Loures.
Atualmente, existem 1.200 empresas inovadoras no
Brasil, segundo a Pesquisa Industrial de Inovação Tecnológica
(Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O documento será fruto dos debates que ocorrerão durante o Congresso
de Inovação, que se estende até sexta-feira (28/10) no espaço Villa
Noah Embratel, em São Paulo.
Para a finalização do documento,
também serão consultados diversos setores da economia. "Com essas
metas de longo prazo, poderemos assegurar a competitividade da
indústria brasileira nos próximos anos", disse Rocha Loures. Ele
destacou que o Congresso de Inovação, organizado pela CNI, será
importante para angariar forças em torno do tema.
"O
Congresso servirá para juntar forças do setor produtivo, público e
universidades para o desafio de fazer com que a inovação tecnológica
aconteça de forma sistêmica e persistente e, a partir disso,
garantir a competitividade da economia", destacou Rocha Loures. O
Congresso discutirá, entre outros itens, a aproximação de empresas e
universidades na questão tecnológica, patentes e propriedade
intelectual, gestão, inovação no setor da saúde e bens de capital,
além de políticas públicas e financiamento para o setor.
Na
avaliação do presidente do Fórum de Líderes Empresariais, Hermann
Wever, um dos palestrantes do Congresso de Inovação na Indústria, o
ponto de partida para incentivar a inovação no País é convencer o
empresário de que ter uma estratégia de inovar a empresa e os
produtos é fundamental para a sustentabilidade dos negócios. A
opinião é compartilhada pelo diretor de relações com investidores da
empresa Romi, André Luís Romi, que também participará do evento.
Para ele, cabe à indústria encarar a pesquisa e o desenvolvimento
como decisivos para o futuro.
Romi levará ao Congresso a
experiência de sua empresa, que é uma das líderes do mercado de
máquinas e ferramentas. A companhia tem uma política interna de
investimento em novos produtos e linhas de produção. "Os resultados
são muito positivos. Cerca de 50% do faturamento atual da empresa
advém de produtos novos desenvolvidos nos últimos cinco anos", disse
Romi. A política da empresa consiste em investir 5% da receita
líquida anual em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e alocar cerca
de 9% dos recursos humanos em desenvolvimento
tecnológico.
Para o diretor-superintendente do Instituto de
Pesquisas Tecnológicas (IPT), Guilherme Ary Plonski, o Brasil vive
hoje um momento semelhante ao de 15 anos atrás, quando a indústria
passava pela revolução do tema qualidade. "Qualidade tornou-se um
valor básico da indústria e, é preciso que a inovação seja uma
revolução parecida", disse Plonski. Segundo ele, o feito da
qualidade foi fruto de um movimento global, que reuniu o setor
produtivo, institutos de pesquisa e governo. "Isso deve ser feito
também com a inovação. Por isso, o Congresso será tão importante",
acrescentou. Plonski será um dos palestrantes do evento.
O
empresário Hugo Valério, diretor de assuntos corporativos da HP, a
questão da inovação passa muito por problemas de incentivo.
"Criatividade o Brasil tem de sobra, recursos humanos temos em
abundância nas universidades, o que falta é incentivar o capital a
investir", disse Valério. Segundo ele, a inovação é a mola
propulsora da indústria. "Olhe o exemplo da HP, eles começaram numa
garagem e persistiram no projeto constante de inovação. Hoje, colhem
o sucesso." A abertura do Congresso Brasileiro de Inovação na
Indústria será nesta quarta-feira (26/10), às 19 horas, com a
presença do presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, empresários,
pesquisadores e autoridades. Foram convidados para a abertura do
encontro o vice-presidente da República, José Alencar, e o
governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.
Os debates serão
realizados na quinta (27) e sexta-feira (28/10) e terão a presença
dos presidentes da Academia Brasileira de Ciências, Eduardo Krieger;
do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro), João Alziro da
Jornada; do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI),
Roberto Jaguaribe; da Monsanto, Richard Greubel; além do secretário
de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação, do Ministério de Ciência
e Tecnologia, Antonio Augusto Gadelha.
Também participarão do
evento representantes de vários setores industriais, como o
presidente da Associação de Indústria de Máquinas e Equipamentos
(Abimaq), Newton de Melo, e o presidente do Fórum de Líderes
Empresariais, Hermann Wever. Ele apresentará a prévia de um estudo
sobre inovação no país, realizado em parceria com o Núcleo de
Política e Gestão Tecnológica da Universidade de São Paulo (USP),
cujo lançamento está marcado para novembro. A idéia da pesquisa é
recomendar ações com o objetivo de incentivar o aumento de
investimentos da iniciativa privada em inovação
tecnológica.
Desenvolvimento tecnológico das pequenas
empresas é um dos temas do Congresso de Inovação O
presidente da Federação das Indústrias do Estado do Espírito Santo,
Lucas Izoton, que também preside o Conselho Temático de Micro e
Pequena Empresa da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
coordenará o painel temático sobre micros e pequenas empresas
durante o Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria.
O
painel sobre os pequenos empreendimentos ocorrerá na sexta-feira
(28/10) entre 9 e 11 horas e contará com a participação do diretor
técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae), Luiz Carlos Barbosa. Também participam do painel o
presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de
Empreendimento de Tecnologias (Anprotec), José Eduardo Azevedo
Fiates, do diretor da FK Biotecnologia, Fernando Kreutz, e do
diretor da Light Infocon Tecnologia, Alexandre Beltrão
Moura.
O Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria
reunirá empresários, pesquisadores e representantes de governo, para
uma discussão sobre a criação e um sistema de inovação eficiente no
Brasil. A partir dessas discussões, os participantes organizarão um
elenco de propostas para a implantação de uma política de incentivo
à inovação que conduza o país ao desenvolvimento sustentado.
Além do painel coordenado por Izoton, também serão abordados
temas como a implementação da Lei de Inovação, os financiamentos e
incentivos fiscais para pesquisa e desenvolvimento, as condições da
infra-estrutura tecnológica e a absorção de recursos humanos
qualificados.
Governo investirá R$ 1 bilhão para incentivar inovação
nas empresas, diz ministro O ministro da Ciência e
Tecnologia, Sérgio Rezende, afirmou que o governo deve investir R$ 1
bilhão para incentivar inovação tecnológica no País. A informação
foi dada na segunda-feira (24/10) durante o lançamento do
Portal Inovação, na sede da Federação das Indústrias do Estado
de São Paulo (FIESP).
O site, que teve um investimento de R$
6 milhões, possibilitará a cooperação entre empresas, instituições
de pesquisa e universidades em torno do tema inovação. No portal,
representantes de empresas e da comunidade técnico-científica
poderão consultar uma base de especialistas e enviar propostas de
trabalho e cooperação tecnológica. "O site será um facilitador
dessa interação", acrescentou o ministro. Sobre os investimentos
do governo em inovação, Rezende disse que só o Ministério da Ciência
e Tecnologia deverá desembolsar R$ 600 milhões com financiamento de
projetos, por meio de fundações, empréstimos e incentivos fiscais
para empresários. Algumas medidas, segundo ele, constam na
regulamentação da Lei de Inovação. Outras, como a subvenção
econômica para empresas que empregarem pesquisadores, estavam sendo
contempladas pela Medida Provisória 252, a MP do Bem, que caiu
recentemente. "Mas o governo está interessado em recuperar esses
benefícios e vai colocar os mecanismos na MP 255", disse Rezende. De
acordo com o ministro, a MP 255 deve ser apreciada pelo Senado ainda
nesta semana.
O ministro afirmou ainda que o exemplo de
política de desenvolvimento tecnológico que o governo segue é
semelhante ao promovido pela Coréia nos anos 80. "Como resultado de
incentivos públicos à inovação, os empresários conseguem se
desenvolver mesmo com situações adversas", disse. Segundo ele, o
tema inovação ainda é recente no Brasil. Nas universidades, até a
década de 60, os professores não faziam pesquisa e só davam aula. Na
indústria, até 40 anos atrás, o Brasil não tinha tido
desenvolvimento industrial significativo. Ou seja, não havia ainda
uma cultura de inovação. "O sistema de ciência e tecnologia das
universidades e a produção das empresas foram questões desenvolvidas
sem correlação entre si, o que foi o grande problema", afirmou
Rezende.
Só há pouco tempo as indústrias começaram a
despertar para o tema, depois de investirem pesado em programas de
qualidade nos anos 80. O governo também se atentou ao tema há apenas
dois anos. "Só agora também há uma política pública de
desenvolvimento tecnológico industrial que incentiva a interação
entre empresas e universidades, para que haja transferência de
tecnologia."
A transferência de tecnologia entre empresas e
universidades será um dos temas centrais do Congresso Brasileiro de
Inovação na Indústria, promovido pela Confederação Nacional da
Indústria (CNI). Integrantes do governo participarão do evento para
discutir incentivos públicos para inovação. "O Congresso de inovação
é um reflexo de que o diálogo entre o setor produtivo e o governo
vem se ampliando nos últimos tempos", disse o ministro. Para ele, a
discussão é positiva, principalmente, porque todos os setores
produtivos estarão reunidos na 3ª Conferência de Ciência e
Tecnologia, que será realizada pelo governo em novembro. "O
importante é que políticas de inovação entrem definitivamente na
agenda das empresas e do Brasil."
SERVIÇO:
Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria Abertura
do Congresso: 26 de outubro, 19 horas Fóruns e discussões do
Congresso: dias 27 e 28/10, das 9 às 18 horas Local: Espaço Villa
Noah Embratel - Chácara Santo Antônio, Rua Castro Verde, 266 - São
Paulo / SP Programação completa, notícias e outras informações:
http://www.cni.org.br/inovacao
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