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Portal Inovação

Pesquisadores e empresas já têm um lugar de interação na internet

Publicado em 21/08/2006 - 21:45

Por Bárbara Semerene

A palestra "Portal Inovação: instrumento de apoio Universidade e Empresa no Brasil" foi ministrada por Roberto Pacheco, pesquisador líder do Instituto Stela, instituição sem fins lucrativos que visa aplicar engenharia do conhecimento em projetos que levem ao desenvolvimento social e organizacional do Brasil.  Este instituto foi o responsável por elaborar o Portal de Inovação, um dos instrumentos essenciais para estimular a integração entre pesquisadores e empresas. "Este é um instrumento não só para o setor público, mas também para o privado. Para que as universidades e empresas brasileiras se encontrem, num processo de cooperação que gere inovação", disse Pacheco.

Antes de detalhar o funcionamento do portal, Pacheco fez um panorama geral sobre o cenário da inovação no Brasil comparativamente a outros países, definiu o conceito de inovação, a sua importância, o papel das instituições de ensino e de pesquisa como geradoras de inovação para o Brasil.

"O papel da universidade é fundamental na inovação e existe um cenário novo no Brasil, onde a inovação começa a ser um tema de Estado, apesar de estarmos 1/4 de século atrás do que aconteceu nos Estados Unidos", disse Pacheco, que lembrou que os Estados Unidos começaram com a política de inovação em 1984. Antes disso, havia uma média de menos de 600 patentes por ano no país. Em 15 anos, o número cresceu para mais 3 mil, depois do marco regulatório.

Para definir inovação, Pacheco citou quem são os atores e os fatores que geram inovação. Ou seja: quem está envolvido com inovação no país e o que faz ser um país inovador. Falou da Tríplice Hélice, que integra três atores: governo, universidades (incluindo instituições de pesquisa) e empresas

O papel do governo é colocar as condições favoráveis para que haja inovação, ou seja: condições regulatórias, macroeconômicas, enfim, que permitam que as empresas interajam com o setor gerador de conhecimento, ou seja, com as universidades. O papel destas é gerar recursos humanos qualificados e encubadoras. E as empresas devem levareste conhecimento para serviços e produtos, envolvendo a sociedade na economia do conhecimento. 

Os indicadores mundiais que mostram o que as nações desenvolvidas fizeram neste sentido - e o hiato conosco é cada vez maior - é a capacidade dos países em articular estes três atores em seu processo inovador. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento dos Estados (OCDE) aprofunda este conceito para estudar as diferenças das nações. A importância do sistema educacional de treinamento: se o país não tem capacidade de formação de bons recursos humanos, ele nunca vai conseguir ser um país inovador. MAs não basta só isso. aTem que ter um contexto macroregulatório econômico, infra-estrutura de comunicação, condições de mercado para produtos e serviços. E tem que ter capacidade de gerar conhecimento em clusters empresariais ou em clusters de ensino e pesquisa. 

A OCDE mostra em que distância o Brasil está dos outros. O que hoje entende sobre inovação, em que pé estamos e para onde vamos? Por que inovação é importante para o país? "Inovação não é só importante para a nossa sobrevivência institucional, mas para que a gente tenha um melhor país. É a inovação que gera melhores salários, mais e melhores exportações, crescimento sustentável, promove empregos, melhora o nível de renda da sociedade. Por fim, a gente só pode alcançar um lugar nas nações desenvolvidas se nós tivermos inovação", frisou Pacheco. 

O que preocupa, segundo o pesquisador, é o desconhecimento sobre os instrumentos disponíveis para a inovação. Nos últimos anos tivemos muitos avanços na área de criação de instrumentos. Há uma série de incentivos fiscais, mas poucos sabem que as empresas que contratam mestrandos ou até mesmo graduandos, têm benefícios fiscais concretos nas suas faturas. Há também um marco regulatório - a lei de inovação - que traz uma regra do jogo. E surgiu o conceito de agências de inovação, organizações que sabem a empresa que tem o problema e a IES que tem a solução, e realiza o casamento entre esses atores. Na lei de inovação está prevista a criação dos NITs (Núcleos de Inovação Tecnológica), que deve estar em todas as IES e vai  definir a política institucional de propriedade intelectual. 

Agora a universidade sabe qual é a sua parcela na propriedade intelectual, a empresa como disputar isso. E há uma série de atores além da empresa, da universidade e do governo, que devem jogar esse jogo da inovação. O maior deles é cultura. "Precisamos estar abertos à inovação", disse. O problema é que ainda existe no Brasil um falso antagonismo: que só se pode fazer pesquisa básica ou aplicada. "Só existe pesquisa boa. Não existe básica ou aplicada. Esse antagonismo nos coloca uma visão linear de inovação que é péssimo", disse Pacheco.

Uma das sugestões das IES para gerar essa cultura de inovação é que o plano de carreira do professor inclua a avaliação da excelência tecnológica e da experiência em corporação. "Talvez seja mais importante para o país neste momento um professor que trabalhou num projeto tecnológico que gerou uma patente do que publicar um artigo indexado", ponderou Pacheco. Espera-se que o governo gerem editais nos quais o pesquisador só pode participar se tiver em parceria com uma empresa. 

O portal de inovação

O Portal de inovação foi criado para reunir, numa mesma rede, as demandas do setor empresarial e as competências do setor acadêmico. Foi inspirado na experiência do governo baiano que mapeou o que faziam os grupos de pesquisa da Bahia e as 16 cadeias de inovação do setor empresarial baiano e criou um portal de busca de competências dos grupos de pesquisa nas cadeias produtivas da Bahia. 

O Ministério da Ciência e Tecnologia solicitou ao CGE (Centro de Estudos Estratégicos) que criasse algo assim em nível nacional. E o fizeram, junto com o Instituto Stela, usando a plataforma Lates. Há atualmente 750 mil currículos de pesquisadores no portal, 20 mil grupos de P&D e 1200 empresas. Ali, as empresas pode localizar competências e oportunidades para inovação, há indicadores estratégicos (os interesses das empresas em cada região e o perfil que elas procuram) e uma ferramenta de busca por especialidade e região. Na página dos especialistas, é possível encontrar currículo acadêmico e tecnológico, as experiências anteriores em projetos, e no exterior, e o perfil de cada um. 





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